CriAR | To create

(c) Rute Violante

Enquanto criador interessa-me explorar a colaboração e desenhar um processo criativo horizontal. Desta forma, é possível a apropriação e partilha de modo a que a obra se dilate. Neste processo de dilatação encontramos o desconhecido, encontramos pontos comuns e encontramo-nos num campo aberto de possibilidades.

As a creator I am interested in exploring collaboration and designing a horizontal creative process. In this way, appropriation and sharing are possible so that the work is expanded. In this process of expansion we find the unknown, we find common points and we find ourselves in an open field of possibilities.

 

“penso que um documento em dança é movimento” 2021

O meu corpo pode tudo. Dependendo das dores. O meu corpo pode tudo. O meu corpo é a imagem. O meu corpo pode aquilo que aparenta e o que não aparenta poder. O meu próprio corpo não foge à regra. A perna esquerda em constante instabilidade. Ainda hoje serve de boletim meteorológico e insiste em dar um olá de longe a longe. Os nossos corpos são tal como o gato de Schrödinger. São potenciais que apenas se desvendam quando observados. Tenho o hábito de fazer tudo num tempo mais lento do que me é pedido. O hábito de pensar em tudo o que estou a fazer. Como? Descalça. Tenho medo de dançar aquilo em que não acredito. O meu corpo pode contar histórias com sentido ou sem. Com uma narrativa ou não. Pode ser concreto ou abstrato. Pode esticar e dobrar. Às vezes está mais disponível outras vezes não. Pode exprimir. Pode pensar. Pode ouvir. Pode falar. Pode sentir. É um movimento que se reinventa, sempre. O meu corpo move-se através das emoções. Move-se por puro divertimento e prazer genuíno. O meu movimento é sinuoso na pélvis e tronco. Tenso nas mãos. Veloz

nos pés.

Turma e Intérpretes – Turma 52
Cristiana Ferreira, Daniela Bairua, Fábio Caldeira, Francisca Leite, Margarida Carvalho, Inês Alves, Matilde Borges, Nuno Labau, Rafaela Vasconcelos e Tiago Pires.

Música e vídeo ao vivo – M3sta Composição musical – M3sta e Tiago Pires Figurinos – Intérpretes e direção
Duração aproximada – 30 minutos

Criação coreográfica interpretada por alunos do 3º ano da licenciatura em Dança pela ESD, no âmbito da unidade curricular de Interpretação III.

 

“Casa-Trabalho-Casa” de Catarina Real e Ângelo Cid Neto 2020

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Casa-Trabalho-Casa é um tríptico de Catarina Real e Ângelo Cid Neto. Todo o seu trabalho colaborativo, e também Casa-Trabalho-Casa, equaciona os fenómenos de tradução e transdução e observa criticamente as relações entre o corpo, a palavra e o desenho e como estas poderão ser repensadas de forma a fundar um chão realmente horizontal de onde podemos viver.

Concepção, Co-criação e interpretação: Catarina Real e Ângelo Cid Neto

“palavras da relação 2+12” de Catarina Real e Ângelo Cid Neto 2019

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Um, dois. Um, dois. Um, dois, três, quatro. Começámos assim: Uma linha que passa pela nossa vida, contínua e longa. Será longa ou curta? Ou assim: Com o teu dedo finge que é o lápis, passa pelo peito até chegar à perna, até chegar ao chão. Ou assim: Desenha uma linha, a linha da vida. Ou assim: Uma LINHA pelo corpo… da cabeça aos pés! Ou melhor, do AR ao chão. Ou assim: Uma linha feita pela mão pelo corpo abaixo desenha também no chão. Ou assim: A escrita no corpo e no chão. Com o dedo. Ou assim: O meu braço direito elevado ao máximo possível, e os dedos da minha mão, parece que estão a agarrar uma mosca, e fazem-me desenhar uma linha pelo lado direito do meu corpo até chegar ao chão. Ou assim: Braço de cima para baixo. Ou assim: Dedos, como uma caneta, abraçam uma linha no ar e chão. Ou assim: Uma linha que se vai desenhando ao longo do corpo, e o percorre até ao chão, até que uma pequena tesoura feita com as mãos, vai cortar a linha como quem já não quer lembrar.

Viemos, sobretudo, possibilitar o vislumbre de novas possibilidades. Isto, o que apresentamos hoje como palavras da relação 2+12, é uma possibilidade.

Criação, dramaturgia e coreografia: Catarina Real e Ângelo Cid Neto
Co-criação: Matilde Caetano, Leonor Ferreira, Maggie, Lucy, Chico, Joana Miguel, Sofia Charrua, Leonor M., Carolina Conceição, Filipa Gonçalves, Filipa Salvador, Joana Barbosa
Interpretação Projecto [anima] NUC: Maggie, Lucy, Chico, Joana Miguel, Sofia Charrua, Leonor M.,Carolina Conceição, Filipa Gonçalves, Filipa Salvador, Joana Barbosa

 

“FaKeDaNcE ou a metáfora do encontro” de João Fernandes e Ângelo Cid Neto 2019

Cocriação: Ana Silva, Carolina Varges Nini, Hugo Mendes, Ma- tilde Cruz, Matilde Tarrinha, Leonor Mendes, Sara Costa,Tânia Tedim, Vicky Flatt.

Direção artística: Ângelo Cid Neto & João Fernandes

Interpretação : Ana Silva, Carolina Varges Nini, Hugo Mendes, Matilde Cruz, Matilde Tarrinha, Sara Costa,Tânia Tedim, Vicky Flatt.

Música: Greg Hulme; Chris Frantz, David Byrne, Jerry Harri- son, Tina Weymouth; Kangding Ray; Doce; Mark Hoppus, Tom De- Longe, Travis Barker; Kevin Aviance; Donnald Markowitz, Franke Previte, John DeNicola.

Figurinos: Intérpretes, Direção artística, ESD e Mara Martins

 

“t maiúsculo é igual à raiz quadrada de e maiúsculo vezes t minúsculo sobre quatro” de Catarina Real e Ângelo Cid Neto 2018

T = √Et/4

Espaço. Tempo. Trabalho
A relação tempo-trabalho é um quarto da relação espaço-tempo.
A relação trabalho-tempo é quatro vezes o trabalho sobre o espaço.
A relação entre trabalho-tempo vezes o espaço é quatro vezes o tempo.
O trabalho vezes o espaço é quatro vezes o tempo ao quadrado.O espaço é quatro vezes o tempo ao quadrado sobre o trabalho.
O trabalho é quatro vezes o tempo ao quadrado sobre o espaço.
O espaço vezes o trabalho é quatro vezes o tempo ao quadrado.
O tempo é a raiz quadrada do espaço vezes o trabalho sobre quatro.

t maiúsculo é igual à raiz quadrada de e maiúsculo vezes t minúsculo sobre quatro é uma linha de raciocínio em torno de formas-fórmulas como o círculo e o documentário, os corpos e a sua aprendizagem de movimento, o diferencial entre movimento dançado e movimento prático, equações de equilíbrio entre a tríade espaço, tempo e trabalho, serendipidade e tradução, tendo como plano de fundo – e impregnado no corpo – a linguagem e as máquinas, que geram movimento.

Criação: Catarina Real e Ângelo Cid Neto. Interpretação: Ângelo Cid Neto

 

“profunda pele” de João Fernandes e Ângelo Cid Neto 2018

“Lembremos que a pele não é uma película superficial, mas que tem uma espessura, prolonga-se indefinidamente no interior do corpo: é por isso que a sensação de tato se localiza a alguns milímetros no interior da pele, e não à sua superfície.” José Gil em Movimento Total

profunda pele não se assume como uma continuação da peça anterior sobre a pele (2017) é uma viagem paralela que mantém dois aspetos principais: o processo de criação colaborativo e o uso de uma obra musical icónica da história. Também não se assume como uma sagração da primavera. É uma sobreposição de duas partituras que se encontram, a da música e do movimento. profunda pele explora a pele enquanto metáfora paradoxal que esconde ou dá a ver. Porque, como proposto por Valéry, o que de mais profundo existe se encontra na pele. É nesta teia de histórias que se escreve o movimento, em cicatrizes, em abraços ou em gritos mais ou menos calados

Criação, Direção e Conceção Ângelo Cid Neto & João Fernandes Cocriação e Interpretação Ana Lia . Ana Nunes . Chloé Chardevel . Francisco Oliveira . Inês Duarte . Leonor Toscano . Mafalda Tereno. Noeli Kikuchi . Rita Nogueira . Vitória Abreu Música Igor Stravinski Figurinos Intérpretes e Direção Coprodução Metadança Festival e Escola Superior de Dança

 

“ensaio nu
enlace entre pensamentos” de Catarina Real e Ângelo Cid Neto 2017

 
Se alguém pensar alto: consegue habitar nesse pensamento?
Se alguém pensar alto na direcção de outro alguém: consegue criar terreno nesse pensamento?
Todas as casas exigem um solo.
Se eu digo age o teu pensamento move-se?
Se tu danças agir o meu pensamento escreve-se?
O pensamento está enterrado na terra.
Há espaço entre a casa e o solo
Há espaço entre o pensamento e a terra
Há espaço o eu e o tu
Se alguém pensar muito rápido – quase sem pensar – a casa, o solo, o pensamento e a terra ao mesmo tempo: eu e tu conseguimos ser entre-nós? Ou rebatemos tudo: a casa, a rebater no pensamento para nos dar a dimensão da terra; e a terra a rebater na casa para nos dar a visão do pensamento?
Se alguém pensa: consegue não pensar? Entre tudo, um entre: a cada entre, um exercício de tradução.
A cada tradução um enlace, a cada pensamento uma nudez. Hoje ensaiamos juntos

– Catarina Real & Ângelo Cid Neto 

 

Concepção e Co-criação Catarina Real e Ângelo Cid Neto
Apoio na construção do desenho de Luz João Fernandes
Apoio na construção musical e de vídeo Antonio de Sousa Dias
Apoios Companhia Instável, Fórum Dança, Appleton Square

 

“mãos que sentem o mundo de uma forma tão diferente do normal” de Ângelo Cid Neto 2017

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Interpretação e cocriação | Alunas EVDCR: Ana Carolina Campos, Beatriz Santos, Carina Pinto, Carolina Milroy, Constança Rosário, Eleanor Winkler, Filipa Coutinho, Inês Antunes, Joana Belbute, Joana Monteiro, Leonor Silva, Madalena Casimiro, Maria Inês Menezes, Maria Martins, Mariana Santos, Mariana Soveral, Patrícia Camarinha, Sara Alendouro

Música | Colin Stetson – “All this I do for glory” e Gravação de voz das intérpretes

 

“Na primeira pessoa” de Ângelo Cid Neto 2017

Breve descrição da peça: O processo criativo para a peça iniciou-se ainda sem os intérpretes, onde o criador trabalhou com três turmas do primeiro ciclo da Escola EB1 do Condado durante um período letivo. Deste trabalho, resultaram materiais e estímulos para a criação. Uma das características destes alunos, segundo os seus professores, consiste na dificuldade na utilização e manutenção da primeira pessoa nos textos escritos. Deste modo, todo o processo criativo da peça, com os alunos da Escola Superior de Dança, foi desenvolvido em torno da dificuldade da escrita na primeira pessoa. Debruçamo-nos sobre aspetos auto e hétero biográficos, sobre autorretratos, sobre o “Eu” e o “Outro”. Dentro deste universo onde se desdobram a identidade e alteridade, utilizaram-se os poemas “7” de Mário de Sá Carneiro e “Imagem” de Arnaldo Antunes, o papel, as tintas e a escrita gráfica e coreográfica.

Criação coreográfica interpretada por alunos do 2º ano da licenciatura em Dança pela ESD, no âmbito da unidade curricular de Interpretação II.

“Sobre a pele” de Ângelo Cid Neto & João Fernandes 2017

Eis o nosso manifesto: “O eco sobe e grita em todos os sentidos. Um corpo agora ativo e fluido, explode no espaço até que volta a ficar imóvel. Cresci e expandi-me como uma árvore. Verifico a temperatura ambiente. Finjo ser um animal aquático. Agitar as águas. Segurar o sol com a mão direita. Voltei a plantar sementes em duas direções. Rodei e voltei à posição de semente que usei no início. O vento leva o corpo para o teu lado esquerdo, o meu direito. Polegares pressionam a planta do pé e afastam-nos. Um dedo…e um calor. O solo começa com um riso nervoso e um tremer centrado principalmente no troco. Tudo começou com o crescimento de uma planta. O azedo sai da planta, mas percorre todo o meu corpo. O chão queima na euforia da música, mas eu gosto desta dor. Termina no tempo. Repetir esta receita. Por sal.”

Cocriação/Interpretação – Beatriz Dias, Bruno Freitas, Carolina Carloto, Catharina Dahlkvist, Cristiana Pardal, Marcos Medeiro, Miguel Nogueira, Natacha Campos, Susana Vilar
Música – Antonio Vivaldi “Quatro Estações” na versão de Max Ricther
Coprodução – Metadança Festival e Escola Superior de Dança (ESD)

“ENSAIO” de Ângelo Cid Neto 2016

ENSAIO é o projeto coreográfico que resultou de um pensamento onde são analisados os mecanismos de tradução do material de laboratório para estúdio e onde se aflora a possível transversalidade dos processos artísticos e científicos. Este projeto agregou a Escola Superior de Dança e o Polavieja lab da Fundação Champalimaud, à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. E tem como objetivo revelar o potencial criativo, coreográfico e performativo escondido num processo de investigação científica na área das neurociências. Através da identificação de material transversal aos processos artístico e científico foi possível desenhar uma estrutura de criação e de construção da performance coreográfica. A plataforma comum foi encontrada num processo de tradução e na definição de um mesmo substrato conceptual, que tornou possível a aproximação das duas instâncias: estúdio e laboratório. Uma das suas características fundamentais reside na promoção da comunicação entre os seus agentes: cientistas e intérpretes. E na possibilidade de modelação e de absorção do que advém desta partilha. Os métodos e processos coreográficos escolhidos espelharam e promoveram a transferência de conhecimento e, por conseguinte, o envolvimento do corpo. Assim, o corpo é o agente capaz de refletir e acionar este processo, um corpo em ensaio que está continuamente em pesquisa. Um corpo capaz de se articular entre vários meios e de ampliar a reflexão sobre si próprio. Assim embora a ciência e a arte sejam instâncias individuais, que inevitavelmente, se especializam e se afastaram. Neste trabalho focam-se exemplos de pensamento transversal e de aproximação das duas culturas científica e artística. Onde se articulam os corpos teórico e prático numa abordagem de investigação pela prática na condução de um processo criativo.

Direção | Ângelo Cid Neto
Co-criação e Interpretação | Kika Ramos, Rodrigo Lemos, Catarina Marques, Sofia Leite, Carolina Sousa, Fernando Trujillo, Flávio Silva, Maria Antunes


“Base.Altura sobre dois” de Ângelo Cid Neto 2015

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(c) Ângelo Cid Neto

“Terminaste a dança. Pousaste-me na cadeira outra vez. Sim, tomo o comprimido. Sim, estou bem. Sim, tenho calma. Decidi diluir-te num litro e meio de água, estavas em estado líquido. Só solidificaste dentro da embalagem de plástico. Engraçado pensar em ti dessa forma. Como um recipiente que se enche. Que se pode romper. Que se pode esvaziar. Reciclo-te, repito-te ao ouvido que tive absoluta consciência de que estava a sonhar e mesmo assim continuei a cair. “ in Base Vezes Altura Sobre Dois de ACN

Interpretação Catarina Barbosa, Catarina Craveiro Lopes e João Abreu
Direção Artística Ângelo Cid Neto
Música Tous Les Visage – Pierre LaPointe


“da queda” de Ângelo Cid Neto & Beatriz Dias 2014

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(c) Ritabela Santos

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(c) Mário Teixeira

Fascinados pelo universo cinematográfico de Lars Von Trier  (Antichrist, Melancholia e Dogville) explorámos elementos próprios dos seus filmes, reinterpretando um Prólogo envolto em estados “de queda”. Duas identidades que se cruzam no mesmo espaço e que vivem intensamente o pico do seu momento, a queda súbita e o sexo fugaz.

Criação e interpretação Ângelo Cid Neto e Beatriz Dias
Música | Lascia ch’io pianga – Tuva Semmingsen (G. F. Haendel)

“Octávio de olhos fixos” de Ângelo Cid Neto & Sara Chéu 2013-2016

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(c) Herberto Smith

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(c) Patrícia Bento

A tentativa frustrada de parar o tempo numa comédia dramática retro, vintage, chiado, hipster, kamp, e todas as tendências que um furão urbano pode somar.

Octávio é o oitavo irmão, adoptado. Era um peixe feliz no aquário, mas tinha receio de envelhecer. Assim, socorreu-se de transformações plásticas, que resultaram menos bem: Octávio torna-se num furão empalhado. Os seus sete irmãos fazem de tudo para que ele regresse à normalidade do aquário, mas do seu corpo antigo, Octávio conserva apenas os olhos fixos.

Este objecto performativo baseia-se no universo de Tim Burton, nomeadamente no livro A Morte Melancólica do Rapaz Ostra e Outras Estórias, para se debruçar de uma forma lúdica sobre temáticas densas como sejam a morte ou questões de identidade. Os jovens criadores viram a peça premiada no 1º Campeonato Nacional de Buskers (artistas de rua), promovido pela Revista DIF, tendo desde então apresentado a nível nacional em diversos contextos. Destinado aos mais novos, aos mais velhos e aos assim-assim; a lontras, texugos, porcos-da-índia e doninhas anãs!

Criação e interpretação Ângelo Cid Neto & Sara Chéu
Música Ella Fitzgerald Darktown Strutters Ball, Noble Sissle’s and his Orchestra Tain’t A Fit Night for Man or Beast, Brigitte Bardot Moi Je Joue, The Puppini Sisters I will survive

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